O TEATRO GRANDE OTELO
“Passados 15 anos os fatos mostram o teatro que materializou, em tempos anteriores, a última homenagem ao filho mais ilustre de Uberlândia, marginalizado.”
Em 2008, no début da ausência do artista e compositor Grande Otelo, apesar do seu inequívoco legado a cultura brasileira, Otelo configura a sua cidade natal, como uma figura emblemática, suscitadora de discussão e controvérsias, a exemplo do Teatro Grande Otelo expressão última das homenagens a ele tributadas em caráter nacional.
A constituição de novos espaços implicou no apagamento de inúmeras memórias que, atualmente, são guardadas nas memórias de sujeitos que viveram aquelas épocas, em páginas de jornal e fotografias, ou prédios deteriorados, e, ainda, lugares materializadores de histórias da cidade.
Nesse cenário urbano, situa-se no bairro Nossa Senhora Aparecida, o Teatro Grande Otelo. Lugar condensador de memórias dos tempos do Cine Vera Cruz, que a partir da década de 1990, materializaram significados consoantes à vida do artista e compositor Grande Otelo.
Espaço agregador de uma multiplicidade de significados nas lembranças de sujeitos sociais que o freqüentavam, o teatro se constitui em um “espaço de memórias destituídas” no espaço urbano se inserido, dessa forma, na seara da recordação e da lembrança. Isto é, a paisagem visualizada pelos transeuntes que transitam pela avenida João Pinheiro, e passam em frente ao teatro, configura-se no fechamento do local e na deterioração do seu espaço físico.
Cena que se tornou comum, uma vez que as portas estão cerradas no teatro desde o início das reformas 2002. Apontamos, sobretudo, o caráter simbólico que o tangencia. Com isso, ao estabelecermos o diálogo do presente (2008) com os tempos passados (1993) a sua relevância se dá pelo invólucro simbólico que assegura para a história construída na e para a cidade.
Destaquemos a condição de lugar materializado de significados construídos no transcorrer do cortejo fúnebre de Grande Otelo nessa localidade, cujos sentidos indicam a proeminência do espaço configurador na última homenagem feita ao artista no país, na medida em que a mudança de nome do Cine Vera Cruz (11/11/1993), fora efetuada 15 dias antes de seu falecimento (26/11/1993) com o objetivo de, por meio do artista, colocar a cidade em evidência no cenário nacional.
Nas homenagens desenvolvidas pela localidade a Otelo, o teatro constituiu-se o seu maior feito.
Passados 15 anos os fatos mostram o teatro que materializou, em tempos anteriores, a última homenagem ao filho mais ilustre de Uberlândia, marginalizado. E coloca em dúvida os objetivos que estão por trás da construção da referida memória do seu filho ilustre, refletida no uso da imagem de Grande Otelo.
Assim sendo, fica a pergunta: constituirá o teatro Grande Otelo, nessa sociedade em constante transformação, também uma vaga lembrança a se juntar a outros inúmeros espaços, que cedem lugar à nova configuração espacial da sociedade uberlandense?
E ainda: as autoridades responsáveis tomarão as devidas providências, na restauração de um espaço significativo para a história da cidade, não somente por ter em sua fachada o nome do artista Sebastião Prata materializado em sua personagem Grande Otelo, mas por importância às histórias da própria cidade?
Tadeu Pereira dos Santos
Historiador
Uberlândia (MG)
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